Fazenda Água Milagrosa

17 de Janeiro de 2017

Desmama saudável



Adote práticas que ajudem o bezerro a se adaptar ao novo ambiente sem perda de imunidade

Por: Lídia Grando 
 

A prática da desmama está dentro da rotina anual das fazendas de corte. Há manejos particulares de cada propriedade, mas em geral é um procedimento que causa estresse nos bezerros, predispondo-os a problemas sanitários. Isso porque, apesar da desmama ser um acontecimento natural na vida dos mamíferos, entre os bovinos, ela é conduzida de forma artificial, levando à interrupção do contato entre mãe e filho de forma abrupta entre os 6 a 9 meses. Há muitos berros, animais que varam as cercas, danos nas instalações, além de relatos de maior incidência de diarreia e perda de peso dos animais.

"O estresse não é causado apenas pela retirada do leite, mas também da interrupção do contato entre o bezerro e a mãe", explica a zootecnista Fernanda Macitelli, docente da Universidade Federal do Mato Grosso, de Rondonópolis, MT, e também integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal, Etco, da Unesp de Jaboticabal, SP. Ainda em 2016, o Etco publicará uma cartilha específica com as recomendações para a desmama racional.

Lado a lado

O primeiro passo antes da desmama é colocar as matrizes e as crias no pasto que será exclusivo para os bezerros. "As mães vão orientá-los sobre os locais de água e descanso", explica Fernanda. É importante que as cercas sejam revisadas e estejam em bom estado. Essa medida mantém o bezerro seguro e tramquilo, o que é bom para seu sistema imunológico. Somente após essa preparação, é que mães e filhos são separados.

Fernanda recomenta fazer a desmama "lado a lado", ou seja, em pastos adjacentes, onde haja o contato entre os bezerros e vacas. Há quem torça o nariz e já pense na confusão ao pé da cerca. "São apenas três dias", afirma a zootecnista, em seguida, cada grupo toma seu rumo de forma independente. "Apesar da cerca, o contato visual, tátil e olfativo é mantido", explica, o que tem efeitos positivos no bem-estar dos animais e, consquentemente, em sua saúde e desempenho. Em alguns casos, pode-se deixar algumas mães dentro do lote de bezerros para que elas desempenhem o papel de madrinhas, ensinando-os a comer e beber água. Há quem prefira usar fêmeas mais velhas nessa função e retirar definitivamente as mães.

Acompanhamento

Pesquisas da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande, MS, também mostram que manter os animais em pastos adjacentes acalma os animais, levando-os mais rapidamente ao pastejo e à ruminação. No manejo "lado a lado" há menor vocalização, ou seja, redução dos berros; além de maior tempo dos bezerros brincando e pastando, sinal de que estão sadios. Há exemplos da desmama lado a lado com lotes de vários tamanhos, desde 80 até 200 animais. Fernanda lembra que é importante o acompanhamento de um vaqueiro ao menos uma vez ao dia, pois há casos em que os animais varam a cerca e outros que até conseguem mamar. "Mas são poucas ocorrências frente ao benefício obtifos", explica.

Além do manejo, é preciso ficar atento à nutrição. Em muitos casos, a desmama coincide com o período seco, quando o capim perde qualidade. É importante planejar, pois as pastagens sozinhas não atendem satisfatoriamente às necessidades nutricionais do bezerro no pós-desmama, mesmo as mais fartas e diferidas. Para evitar a perda de peso, estudos da Embrapa Gado de Corte sugerem o consórcio do pasto com leguminosas ou a oferta de suplementos de baixo consumo. Todas essas práticas refletem positivamente no bom desempenho da bezerrada. 

 

Fonte: Revista DBO
 

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